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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Cada Sapato Conta uma História




"Entre botas de bebé e sandálias esportivas, passamos grande parte das nossas vidas calçados. E se os sapatos contassem também uma história." 
Texto de Cathy Newman; Fotografias de Mitchell Feinberg

“Nunca se venderá em Londres”, suspira Manolo Blahnik, embalando a Mule em seda e pele. “Está a ver, não é? Os britânicos, com os direitos dos animais. A caça à raposa acabou. A caça às aves acabou. Andam doidos.” Manolo sofre. Parece magoado. “Recusam-se a comprar este sapato, mas comem coelhos e outros pobres animaizinhos.” Solta um risinho semelhante aos salpicos de água numa fonte.

Politicamente correcto ou não, este sapato desperta uma vontade irresistível de lhe fazer festas; pôr-lhe uma trela, levá-lo para a cama. É um sapato de salto alto de Manolo Blahnik e há mais de 30 anos que os sapatos desenhados por Blahnik são os acessórios de um conto de fadas: sapatos feitos em diamantes de fantasia, penas, lantejoulas, botões, arcos, contas, colares, anéis, correntes, fitas, brocado de seda, pedaços de coral, renda, pele (de animais criados em cativeiro, acrescenta), jacaré, avestruz – tudo, excepto talvez em crina de unicórnio entrançada.

O próprio Blahnik é uma ave rara, um colibri exótico. Exprime-se com pontos de exclamação. Não pára quieto. Dá pulos na cadeira do seu escritório em King’s Road, de paredes pintadas a cinzento asa-de-pombo. Solta exclamações, entusiasma-se. Nele, tudo são floreados, gestos rococó, maneiras requintadas, elegância impossível, perfeitamente arranjado, de cabelo prateado penteado para trás. O fato axadrezado, com duas filas de botões, a gravata em malha roxa e amarela e, espreitando debaixo da manga de uma camisa azul de algodão, o bracelete de um relógio de ouro suíço, em pele vermelha de crocodilo. Os sapatos estilo-Oxford, em pele de veado tamanho 42 1/2, foram especialmente feitos para si na sua fábrica de Milão. “Visto-me como um banqueiro”, afirma, quando lhe perguntam se o fato é feito por medida.

Já não é a primeira vez que alguém conta a sua história, “mas é a única história que tenho”. Depois de estudar arte e literatura em Genebra, Blahnik ingressou no mundo da moda de Nova Iorque e conheceu Diana Vreeland, a lendáriaeditora da revista “Vogue”. Vreeland olhou para os seus desenhos e pediu-lhe que fabricasse acessórios. Foi o que ele fez. Um “Manolo” é o sapato da série televisiva “Sexo e a Cidade” (num episódio, Carrie percebeu que poderia ter utilizado o dinheiro que gastou em sapatos para pagar a entrada de um apartamento em Nova Iorque), termo genérico para saltos altos e fonte de inspiração para o comentário de Madonna, segundo a qual os sapatos de Blahnik são tão bons como sexo e “duram mais tempo”.

Imagens coloridas:


Escarpim
Manolo Blahnik, brocado com chinchila prateada e fita de veludo, 2005

Sandália
Fibra de casca de artemísia, caverna Fort Rock, região central do estado de Oregon, 8,5 mil a.c

Bota de amarrar 
Natacha Marro para a sex shop House of Harlot, 80 centímetros de cano, 10 de salto, 2000 

Bota espacial 
Protótipo da ILC Dover, aço inoxidável, Spectra, alumínio, poliéster, 2003

Sapato plataforma 
Vivienne Westwood, imitação de crocodilo, 30 centímetros de altura, azul com fita de cetim, 1993 

Sapato masculino 
Couro, com sola e salto ferrados, em tiras, 1660–1669 

Sapato de bebê
Couro, Holanda, século 16 

Sapatos infantis 
Bronzeados, Alemanha, 1943 

Sapato de amarrar masculino feito sob medida
Olga Berluti, da coleção Warrior, couro de bezerro, com padrão decorativo de cicatriz, 1995

Mocassin
Sioux, sola com contas, 1880 a 1900



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