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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A semiótica na moda: uma imagem vale mais que mil palavras

Na lingüística a noção de signos é básica. Signo é a menor unidade de um código dado. As famílias de signos não param de se multiplicar pelo planeta. “O estudo da linguagem e dos signos é muito antigo, A preocupação com os problemas da linguagem começam na Grécia. A semiótica implícita compreende todas as investigações sobre a natureza dos signos, da significação e da comunicação, é uma semiótica explicita quando a ciência semiótica propriamente dita começou a se desenvolver” (SANTAELLA, 2002: XII).
Abordando a cultura de massa Roland Barthes analisou e encontrou a chave para as primeiras analises semióticas e definiu i signo como um sistema constituído de E, uma expressão R em relação e C um conteúdo (ERC). Tal sistema sígnico primário pode se tornar um elemento de um sistema mais amplo. Se a extensão é de conteúdo, o signo primário se torna a expressão de um sistema sígnico secundário. Sendo assim, a semiótica denotativa o signo primário, enquanto o signo secundário é de semiótica conotativa.
No nível conotativo, ele esconde significações secundarias e ideológicas e no denotativo elas expressam significações primarias “naturais”.
A teoria semiótica nos habilita a penetrar nos movimentos interno das mensagens, o que nos da à possibilidade de empreender os procedimentos e recursos empregados nas palavras, imagens, sons, diagramas, nas relações entre elas, permitindo a analise das mensagens.
As mensagens podem ser analisadas nos seus aspectos qualitativos, sensórios, tais como, na linguagem visual, por exemplo as cores, linhas e formas, volumes, movimento, dinâmica, quando analisa-se os quali-signos das mensagens.
A moda (indumentária) emerge poderosa neste fim de século, com toda complexidade do objeto epistemológico dos mais instigantes. O vestuário participa da constituição da identidade e é por ela constituído, e verifica também a possibilidade do indivíduo, ao construir seu próprio estilo, ser capaz de tornar-se representante de si mesmo, criando uma identidade, isto porque a grande realização humana na conquista da identidade pessoal é adequar os papéis sociais que desempenha, à capacidade de pautar essa identidade pelo seu desejo.
Proporcionando, ao sujeito, um estilo próprio de se vestir, estilo capas de expressar o que ele está sendo e o que ele é sem estar sendo, com autonomia na busca da “mesmidade”.
Os gostos e desgostos são chamados atitudes, estas atitudes levam as pessoas a gostarem ou não das coisas, aproximarem-se ou afastarem-se delas. Sendo a moda símbolo na essência, ela se aplica perfeitamente transferência de significados, visando a comunicação integrante de sociedade, onde tudo comunica, o vestuário é comunicação.
O individuo tem tendência psicológica a imitação e proporciona a satisfação de não estar sozinho. A necessidade de imitação vem da necessidade de similaridade, daí a moda é a imitação de modelo estabelecido que satisfaça a demanda.
A moda possui duas vertentes singulares: a individualidade e a necessidade de integração social. Ela é um processo complexo que opera outros níveis. As decisões de compra do consumidor são frequentemente motivadas pelo desejo de estar na moda
A roupa é um símbolo, uma expressão das mais importantes nas linguagens não verbais do eu que passa de controle social. Por elas as pessoas se comunicam com os outros a percepção de si. A moda é um dispositivo social, o comportamento orientado pela moda é fenômeno do comportamento humano generalizado e está presente na sua interação com o mundo.
A moda é um exercício continuo de recuperação das formas repertoriadas, num processo de estilização ao qual é indiferente qualquer dimensão de profundidade. Ao ressuscitar do passado, a moda, o exclui. A moda é sempre retro, mas com base na abolição do passado, ela é a preeminência do trabalho morto dos signos sobre a significação, simulando o dinamismo interno do ser.
O sistema da moda é paradoxal e enquanto código absoluto ela está acima de qualquer valor. A imoralidade da moda torna-a impenetrável à racionalidade revolucionaria. A única alternativa é a descontração sígnica, ou seja, a desconstrução do código, que se obtém jogando-o contra si mesmo.
O design na moda nos possibilita entender a semiótica, que é como uma embalagem, um rotulo que é utilizado na moda para despertar sensações. São elementos comuns do design: o brilho, que são sinais visuais, que pontilham a rastro da roupa. Esse rastro marca com uma clareza a oposição entre brilho e não-brilho.
O signo está apto a provocar um interprete sentimentos, ou seja, um interpretante emocional, que está sempre presente em quaisquer interpretações, mesmo quando não damos conta deles. Um signo pode ser energético, que corresponde a uma ação física ou mental, o interpretante exige um dispêndio de energia de alguma espécie. A moda tende a produzir esse tipo de interpretante com mais intensidade.
A imagem é uma opção na moda que mantém a unidade de todo o conjunto. As imagens indicam todo o processo que é visto e a predominância referencial dessa imagem. O brilho, a imagem e a conotação fazem parte de todo esse processo no mundo da moda. há alguns traços comuns que são caracteres semióticos comuns no mundo da moda. o poder da imagem está nas cores, algumas predominam, outras apenas são pinceladas, elas encantam, emocionam. A síntese das cores é o branco.
As linhas sugerem movimento. As linhas diagonais, simétricas, circulares, etc. imaginárias ou não, transmitem ao tecido um significado bem próprio, que leva o interpretante a viajar nos padrões da moda.
As formas que são elementos distribuídos no tecido são reforçados pela cor que funciona como traço distintivo entre um padrão e outro. Enquanto o primeiro é mais formal, o segundo é mais subjetivo e ainda mais significativo.
Nos padrões da moda, há um certo apelo sinestésico, as imagens produzem sensações não só visuais, mas também táteis, olfativas com o apelo sinestésico do cheiro da roupa nova.
As palavras se relacionam com as imagens, predominando também a complementaridade, as mensagens são organizadas de modo que o visual seja capaz de transmitir a informação.
Os padrões são especificados pelas diferentes cores, matizes, desenhos, que as roupas trazem formando assim uma distinção de padrões dentro da moda. Esses padrões dizem respeitos aos elementos culturais, as convenções de época que a moda incorpora, variando de um interpretante para outro, pois cada um tem seu repertorio cultural.
Emoções são signos e, como tais a moda nos causa emoções. Qualquer signo, todo signo, mesmo um menta, deve estar corporificado, pois assim ele tem qualidades materiais que lhe são peculiares como uma entidade ou evento que ele é,independente de sua função representativa.
“O signo é, pois, composto de um significante e um significado. O plano dos significantes constitui o plano de expressão e dos significados o plano de conteúdo”. (BARTHES, 1997: 43)


BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, Maria Elisa Magalhães. A semiótica na moda: uma imagem vale mais que mil palavras. Cifefil. Disponível em: http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno12-05.html . Acessado em: 9 set. 2008.

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